sábado, 24 de agosto de 2013

O fim

Morrer
é só um verbo. 
Só que a gente fecha os olhos. 

Caio Bio Mello 
24/08/2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sem título

Ele entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou pela porta
Depois saiu pela porta
Depois entrou poeta

Caio Bio Mello
15/08/2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O soldadinho de chumbo

Quando eu era pequeno,
ganhei um soldadinho de chumbo 
de presente. 

Coitado do soldado,
tinha as pernas tortas.
Parecia querer cair exausto
a qualquer instante. 

Eu cresci, arrumei emprego,
me formei, casei, tive filhos, netos,
fiquei velho, morri.

E o soldadinho de pé. Torto. 

Caio Bio Mello
14/08/2013

domingo, 11 de agosto de 2013

Revolução



            A história da Revolução é dividida em vinte e cinco partes diferentes. Todas elas derivam de uma única cena. Essa primeira cena se chama “Revolução – Parte I”.

            Para ela, convergem três cenas de três possíveis passados. Essas se chamam “Revolução – Parte II – Direita”, “Revolução – Parte II – Esquerda” e “Revolução – Parte II – Amor”. Para cada uma dessas três cenas, convergem também três possíveis passados. Sendo assim, o passado é constituído de doze partes, com três braços de quatro histórias cada um.

            No futuro, ocorre o mesmo processo. Da Parte I, divergem três cenas de três possíveis futuros. Essas se chamam “Revolução – Parte II – Teatro”, “Revolução – Parte II – Criação” e “Revolução – Parte II – Costura”. De cada uma dessas três cenas, divergem três possíveis futuros. Sendo assim, o futuro é também constituído de doze partes, com três braços de quatro histórias cada um.

            O futuro não tem relação com o passado. Cada uma das Partes II revela uma realidade diversa, sendo que as seis derivam da mesma cena inicial. Logo abaixo, o leitor encontrará um diagrama que demonstra o fluxo da história numa linha do tempo.

            No Sociovidar, as partes serão postadas numa dada sequência para facilitar a compreensão do fluxo da história. Porém, como as partes são independentes entre si, essa sequência não precisa ser necessariamente respeitada.

            A cada domingo, uma nova parte será postada, totalizando vinte e cinco fins de semana.  

            Bem-vindo à Revolução.

Der Mann



Er trägt mein Leben.
Er kommt immer in meine Träume.

Dieser Mann.
Ich sehe nicht sein Gesicht
und ich verstehe nicht, was er sagt.

Plötzlich bringt er wieder meine Augenlider mit.
Ich bin in meinem Bett, denke ich.
Aber die Dunkelheit widerspricht mir nicht zurück.

Ich weiss nicht mehr, wo ich bin.
Danach vermiss ich mich selbst.

Und der Mann? Ist er noch da?
Nein. Natürlich nein.
Er ist nicht da, weil er nie da war.

Aber wenn er ist nicht da, ist er mir.
Er ist meine Haut. Mein Atem. Mein Herzschlag.

Er ist nur ein Geist.
Und gleichzeitig ist er mein ganzes Leben.
Ohne ihn bin ich nur Chaos.

Ich verliere mich in meine eigene Wortern.
Ich bin falsch.

Ich trage sein Leben.
Ich komme immer in seine Träume.

Caio Bio Mello
11/08/2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Quase

Ele era um quase. 
Nem muito, nem pouco. 

Quase inteligente. 
Sabia somar, subtrair. 
Decorara muito bem a tabuada. 

Quase charmoso.
Um rosto organizado,
Que lembrava as rosas pela manhã.
Mas não muito bonito.
Os dentes um pouco tortos. 

Quase trabalhador.
Ganhava seu dinheiro em seu tempo.
Não esbanjava, nem passava fome. 

E, do trabalho, ele quase gostava. 
Não diria que não, mas nem que sim.
Era aquilo ali, ei, a vida é trabalhar também! Só não seria bom passar a vida enfiado num escritório.

Isso, jamais!

Ele era quase esportista. 
Gostava de jogar futebol.
Conhecia os dribles, jogava no ataque.
Mas os seus gols eram sempre meio mornos. 
Chutava uma, duas e achava um gol no desespero.

Ele chegou a ter uma namorada quase bonita.
Ela também tinha um rosto suave.
Dentes brancos como a geladeira da boa família brasileira.
Mas ela também tinha muitas manias. E reclamava demais que ele nunca se decidia.

Ele quase se casou com ela! 
Mas só quase. 
Na hora de colocar a certeza em jogo, virar o cheque e tomar o choque...
Quase que ele enfarta! 

Aquela, sim, foi por pouco! 

Ele era um quase artista também. 
Pintava de vez em quando seus quadros com muitas cores. 
Muitos amigos gostavam do trabalho. 
Mas não era nenhum Picasso.
Chegou a escrever poesia e fazer um blog, mas ele não se esforçava muito também. 
A criatividade vem quando quer!, dizia ele, justificando suas ausências literárias. 

Ele deixava a barba quase por fazer. 
Não queria ter a responsabilidade 
De se barbear todo dia,
Mas também não queria parecer muito largado. 
Então, fazia a barba de vez em quando, só para melhorar o look.

Outro dia, ele quase teve saudades de sua namorada 
quase bonita com quem ele quase se casou,
tendo logo depois quase um enfarte. 
Ele se lembrou das discussões que eles quase tinham 
(Porque ela queria discutir, mas ele mudava de assunto).

Sua namorada quase noiva lhe disse 
Você é o sujeito mais indeciso que eu já conheci na minha vida!! Deixa tudo pela metade!
E ele não entendeu muito bem...

O que sua quase noiva tinha lhe dito?
Ele quase chegou a responder!
Mas não conseguiu...

Ele quase abriu a boca, mas mudou de ideia. 
Porque esse conceito de indecisão não fazia o menor sentido. 

Não tem certeza quem não sabe o que faz. 
Ele sabia. Muito bem. 

Fazia tudo o quanto queria e tudo quanto podia.
Esse papo de levar tudo a cabo, a ferro e fogo, da força à náusea...
Isso é morrer quase na hora errada. 

Ele não: ia ficando por ali. 
Quase tudo não é pra sempre, não é mesmo? 

Caio Bio Mello
05/08/2013