sábado, 27 de dezembro de 2014

Teatrolêncio

Sou excêntrico
para a minha plateia
que não existe. 

Caio Bio Mello
27/12/2014

Resgate


                       Desafogo-me
            de mim
                                               mesmo.

Caio Bio Mello
22/12/2014

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vertente



Gotas geladas
voam em prata como estrelas cadentes.
Os pés segredam uma caminhada depressa.
O homem rajado de cabelos metálicos é sério.

O sonho e o mundo, distorcidos e empenados.
Não há nada além do silêncio e dos faróis acesos.
As costelas vibram arrítmicas,
arfando as tristezas que não cabem no peito.

Ele se depara com a Quimera
Com olhos fortes e asas de morcego
De garras gigantes e o torso negro
Que grita, mata, geme e vocifera

Sabe que nunca mais terá sossego
Ao encarar a gigantesca fera
Rasgando em seu peito enorme cratera
Tirando a vida que tinha de apego

A besta se sacia, multiplica
E se divide em membros decepados
Que crescem tal qual flor de escuridão

Secos, seus olhos estão embaçados
Tristondosa árvore que frutifica
Natimorto seu primeiro varão

O que fazer, então, em plena decadência?
A clausnoitofobia expurgando os vagantes.
Desnorteiam-se os pés. Caminhada dos dedos.

Olhos de vidro desconhecem o novo milênio.
Estão mortos. Reflexovisão paulatina.
O mundo regride. A carne reprime. Aquilo regressa.

[O feto permanece no líquido amniótico.
Ele flutua, mas tem medo. Exaspera-se.
Ouve a voz trêmula de sua genitora.
O coração retumba logo acima de sua cabeça.
Ele não respira. Ele não pensa.
Mas pode abrir os olhos e vê a imensidão tenebrosa
do Universo que ainda não lhe pertence.
Uma pontada forte o oprime.]

Não tem onde ir
Fica ouvindo sons
Da sua memória
Que ecoam distantes

Pequenos meninos
Riem abafados
Gelado silêncio
A tampa se fecha

Ele sente falta
Não sabe fazer
Aborboletar
Seu nobre crisântemo

Raçonhento desvindouro
ressecado em seus cantos
Que arrarrange
abnega seus passos
            Erbalass-Seu passo
Suas mãos abertas
O que teme é a Solidão
Assim tão simples e pútrida
Que se pen
saria ao di
zer de seu pei
to sem expl
icação se
m dó nem pi
edade.
(somos todos calados em algum momento)

Porém, apesar de tudo,
ainda é preciso continuar.
O abissalismo é efemeramente superado.
Permanecem, mesmo que sob pressão,
ainda as costelas em forma de caixa.

Talvez não tenha carena. Talvez não tenha asas.
Mas o relevante é que permanece.
Ab(sinto). Absorto. Ab(surdo).
Vivo.

Caio Bio Mello
22/12/2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Epitaph

Just let me die
As a cold whisper
Fading away from my lungs

Let my body silence
And my soul roar
Through this walls

Please
I want to be scattered
And slowly decay

All my ashes
Feeding trees and birds

Old imagens of my childhood
Populate my brain
As I reach the final oblivion

My inner red butterflies
Are now fluttering
Among the stars

I am now complete 
The vast majority of things
I shall call home 

Oh, just let me die!

Caio Bio Mello
18/12/2014


domingo, 7 de dezembro de 2014

A tristeza que me pertence



Estar ali, na beira do deserto,
a ponta aguda do ferrão da abelha
à qual já me acostumei.
(saboreio-me com seu veneno)

O fogo que flameja
e o corpo que já não mais se sustenta
sofre por queimaduras mil.
A pele se solta e a carne, pútrida,
lança-se pelos auditórios do universo.

Os dedos que perdi,
as borboletas que permanecem em meu peito
reclusas em seu claustro de costelas
como se o futuro fosse um sopro.

Não se lança, não se vende, nem se refaz.
Tento me recompreender,
como na eterna busca por um início.
Porém, já estou cinza e doente.

Crescem musgos em meus olhos,
as vistas limitam-se e o garoto de noventa
arde em chamas.

Pequenas formigas carregam minhas sensações
por dentro de minhas veias ressecadas.
Perdeu-se a pueridade.

E o corpo, sepulcro da alma,
envolve um sofrimento sombrio como as nuvens carregadas.
Sua descarga será elétrica: fatídica.
Simples libertação do eu-lírico ao infinito da metafísica.

Caio Bio Mello
07/12/2014