quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cauteriza

Animado o verso
(Destemido)
Ao revés do homem 
(Perverso)
Caudaloso pensamento 
(Figment)
Em pedaços mil 
a carne da gente que se faqueia
(Estéril)
Laqueagaia - polímeros cauterizantes
(Fera)
Do cadáver brota uma estrofe 

Caio Bio Mello
19/08/2015

sábado, 15 de agosto de 2015

Por que não durmo (ou O Soneto Noturno)

Começo a achar que eu vi um movimento...
Será real? Ou só coisa que penso?
Não sei, mas eu começo a ficar tenso. 
Sei que vi, nem que for por um momento!

No escuro, tudo fica tão imenso.
Já em outra coisa pensar eu tento,
mas o olho não deixa de ser atento 
a ver a loucura à qual é propenso. 

Eu vi. Eu vi. Tenho toda certeza.
Algo escuro, no canto do meu quarto,
se mexia com bizarro vagar. 

De primeira, correndo quase parto...
Mas depois eu começo a reparar
que ali vejo a morte em sua pureza. 

Caio Bio Mello
14/08/2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Canção de ninar flamejante

Querida estrela,
Preciso que brilhe 
Com uma intensidade jamais vista
Para que eu possa encará-la
E deixar que meus olhos 
Ardam em chamas 
Até que eu fique cego 
De tanto ver. 

03/08/2015
Caio Bio Mello

Trigésima quinta canção de dormir

Morei na jangada 
As nuvens atravessando
Na minha jornada

03/08/2015
Caio Bio Mello

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Nobre buraco de lama



Oh, buraco,
                        buraco de lama
                                               nobilíssimo oligarca do chorume
És o silêncio da barca
                        a voz que clama
e puxa o público
                                   num discurso-flama.

Buraco, és fundo como o silêncio,
            derradeiro bastião da escglória subterfúgica,
do peito a chama
                        e da glória, a juventude.

Tu, que amas,
            e afrontas e lutas,
sabes muito bem da rouquidão mundana.

Ao pisar em ti, oh patriarca lamacento,
            perco os sapatos,
mas recobro o juízo.
                                               Porque, só sujo como tu,
                                               lembro-me bem da podridão humana.


Caio Bio Mello
10/07/2015

O eixo da Terra



Trezentos e sessenta e cinco dias
do astro leva nossa Terra ao redor
para fazer o que já não fazia,
pelo rodar do seu caminho mor.

Terá, em si, sentimento (re)dor,
aquele que jamais conheceria
se lhe não houvesse o prévio estupor
que há um ano sentiu na noite fria.

O repisar do caminho trilhado
é poder se dar nova rotação
num eixo que nunca vai se alterar.

Nós temos um único coração,
isso não podemos nunca mudar.
Mas cabe a nós lhe dar significado.

Caio Bio Mello
10/07/2015