quarta-feira, 23 de setembro de 2015

All work and no play

Tick tock 
Says the clock 
"Have you got a minute?"
(No time to waste)
Life passes by 
"All work and no play"
Are you still there, Jack?
I'm a dead(line) man
Keep that suit clean, 'cause
It matches my golden coffin
You all can bury me 
And have a good laugh
Upon my corpse
(No time to mourn)
Please leave a brief epitaph 
Something like 
"Your work will pay back"
And spread these words 
To all the bankers who own my life
They'll find a way 
To send me debt letters 
Even in hell 
They'll find me 
I am so sorry,
Really can't keep on talking now
So much stuff to do!
(No time to live)

23/09/2015
Caio Bio Mello


sábado, 12 de setembro de 2015

A concepção primeva

Há um extenso jardim (primavera)
em que crescem, de nova era, árvores frondosas
cujos galhos se entrelaçam
no caminho do céu.


Milhões de pré-existências
que brotam e desabrocham
pelos gramados
imersos no sol quente.


As tardes macias se alongam
e espreguiçam o longo desejo de viver
(lembro-me das cerejeiras)


[Let's sail across the ocean
and let our beards touch the heavens.
We must keep on searching in the foam,
trying to find the true answer to life.
Is it all but a golden dream?
Will I soon awake?]
 


A poesia não existe.
Somos nós, com nossas vaidades,
nossos desejos, nossas paúras.
Não está aqui o verbo, ele não passa
de um breve mover de lábios.


Há a carne, o cardiopulsar incessante
de indivíduos bípedes que transeuntam ignotos.


Existem os dedos
          as pernas, os braços
                    os nobres abraços
          algumas memórias
                    e fotos de infância.


De viver, aquela ânsia,
do mesmo modo que cantam os pássaros ao singrar as mais nobre nuvens,
cujo voo norteia a transmutação pelo retorno:

o princípio-base, fundamento necessário,
a fronde dourada do peito aberto.
Doce inspiração encontrada por sorte
e a órbita lunar da
concepção primeva.

Caio Bio Mello
12/09/2015
 
 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

(Sem título)

There is
this place inside me
dark and deeply quiet 

Among the dust,
I keep the sadness
and the screams
I breathed in

It catches me 
everytime I shut my eyes
when I lay down 

Should I name it Nightmare?

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Flocolhos


Pares de olhos 
emergindo a esmo 
na escuridão.

Pontos brancos 
que intermitentemente 
perdem-se em meio
aos flocos de neve 
que despencam no silêncio.

É possível espreitar 
as vistas pela janela.
Para notá-las, só mesmo 
de soslaio
(não querem ser vistas).

Volumes amontoados
de grossos casacos 
de um tremor incessante,
não se sabe se é paúra
ou frio.

São pesados olhos 
que se agarram
que devoram 
que buscam sem piedade.

Eriçam os pelos,
gelam a espinha,
reviram o estômago 
e secam a boca.

Assustam porque têm fome,
sede, medo, tristeza. 
Mas o que mais impressiona 
os transeuntes 
não é a pobreza, nem a imundície.

A densa verdade que os cobre
é perceber que lhes roubaram 
os sonhos e, agora,
não fazem mais nada 
que não vagar, se alimentar,
e andar sem rumo
até que seus corações deixem 
de bater. 

Caio Bio Mello
08/09/2015



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os meus castelos de papel

O meus castelos de papel...
São meus e os construo 
pela imensidão de mim.

Os meus grandes (pequenos) sonhos
erguem-se em pleno ar
num presto voo alçado
com páginas recém-dobradas. 

A celulose erigida 
tal qual cimento ou aço,
ereta em pose de indivíduo. 
(num poço fundo, há boatos de demônios)

(Eu)dificações 
que toleram severo inverno,
que sustentam toneladas,
que podem sobreviver aos séculos,
mas que lhes basta um único sopro
(gélido e calculista)
para que caiam ao chão,
de papel a castelo
e de castelo em pauperopel.

Caio Bio Mello
06/09/2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015