Agridoce
A foice cóide
Foi-se
Desjugulada
No claro-escuro
Do redemovinho
O turbilhão
Já não mais
Arfa.
Caio Bio Mello
19/11/2021
Within the snow
Frozen in the mist
Your eyes will glow
For eons to list
In silence and woe
From toe to finger
The wind will blow
Upon your linger
Alas,
I told you to flee
But, fool, you did not go
So here we’ll stay
Beholding the flow
As we decay
And
Before you know
We’ll wither away.
Caio Bio Mello
18/12/2021
No dorso
balanço
de pé
estribado
Viajo
no torso
talvez manso
Desredeado penso
que a vida intensa
é égua solta
E que o estribo carrega
mas não destina.
Caio Bio Mello
11/12/2021
Desconheço teu
jardim
de
espinhosos meandros.
Os
galhos cospem
a seiva de piche.
Rastejam
quadrúpedes veículos
com
motores rasgantes de audição.
Já
perdi minhas chaves nas folhas
entre a relva e o carvão
dos caminhos
que desfamiliarizo.
Na
selva, não encontro portão.
A
perda a resvalar entre releva ou revela.
Mostram-se
translúcidos atos fuscos
entremeados na fumaça (tropical fog).
Não
sei mais discernir
e meus pulmões, que antes enchiam,
chiam sons
estridentes.
Restam
meus dedos
que cravejo fundo no solo putrefeito.
Enraízo
minhas falanges na ânsia por osmose,
mas não há absorção.
Eu, absorto, observo. Então, cavo.
Rasgo um vácuo novo,
recente,
e descasco
aquela terra imunda
até abrir rombo o
suficiente
para dar à
minha sombra a merecida cova.
Caio
Bio Mello