quinta-feira, 21 de abril de 2022

O rio de largas margens

Helicoidal
Agridoce
A foice cóide
Foi-se
Desjugulada
No claro-escuro
Do redemovinho
 
O turbilhão
Já não mais
Arfa.
 
Caio Bio Mello
19/11/2021 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Winter

Within the snow

Frozen in the mist

Your eyes will glow

For eons to list

 

In silence and woe

From toe to finger

The wind will blow

Upon your linger

 

Alas,

I told you to flee

But, fool, you did not go

So here we’ll stay

Beholding the flow

As we decay

 

And

Before you know

We’ll wither away.

 

Caio Bio Mello

18/12/2021

Valguarda

No dorso

balanço

de pé

estribado

 

Viajo

no torso

talvez manso

 

Desredeado penso

que a vida intensa

é égua solta

 

E que o estribo carrega

mas não destina.

 

Caio Bio Mello

11/12/2021

Dessedentação

I said
tenho sede
since sempre
mas você não cede
So, so sad.
 
Caio Bio Mello
20/12/2021

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Cheguei

Vim te

ver

Vim te

dar

Um

novo ano

para que possas

sorrir de novo.

 

Caio Bio Mello

01/01/2021

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Schattengarten

 Desconheço teu

            jardim

de espinhosos meandros.

 

Os galhos cospem

            a seiva de piche.

 

Rastejam quadrúpedes veículos

                        com motores rasgantes de audição.

 

Já perdi minhas chaves nas folhas

                        entre a relva e o carvão

                                   dos caminhos que desfamiliarizo.

Na selva, não encontro portão.

A perda a resvalar entre releva ou revela.

 

Mostram-se translúcidos atos fuscos

            entremeados na fumaça (tropical fog).

 

Não sei mais discernir

            e meus pulmões, que antes enchiam,

                        chiam sons estridentes.

 

Restam meus dedos

            que cravejo fundo no solo putrefeito.

Enraízo minhas falanges na ânsia por osmose,

                        mas não há absorção.

            Eu, absorto, observo. Então, cavo.

                        Rasgo um vácuo novo, recente,

                                   e descasco aquela terra imunda

                        até abrir rombo o suficiente

                                   para dar à minha sombra a merecida cova.

 

Caio Bio Mello

21/12/2020

domingo, 2 de agosto de 2020

Messiah

Cammina sull’acqua
che così andrá tutto bene.
 
De mãos abertas e virtuais abraços
            eletronicorreios
Within one terabite of affection.
 
Não há cura para a distância,
mas vacina-se a saudade.
 
Ich fühle nicht nur Sehensucht
aber auch Hautsuch.
 
Então, que me pés semeiem
pontes de vento
dalla nostalgia al cuore.
 
Caio Bio Mello
02/08/2020