quinta-feira, 22 de setembro de 2022
Sol
Eis que te dei meus desertos
E me pediste os oásis
Como se todas as colinas
de areia
Não te satisfizessem.
Mostrei-te então meus
camelos
A coleção de dromedários
Os tecidos e as casas
Mas insististe nos oásis.
Neguei-te então as
visitas
Mandei trancar os portões
E fiz correr a notícia
De que oásis não se
compartilham.
E nessa mentira guardei
meu segredo
A verdade é que oásis não
há
Pois vivo sem irrigação
E me dessedento com pó e
ventania.
Caio Bio Mello
11/06/2022
Líquida
A areia
Não arreda
Envereda
Arraia-rei
Arrasta reza
Preza
Arraê é
Grão e pedra
Arranha
Arraiga tamanha
Façanha.
Caio Bio Mello
09/06/2022
Conquista
Pesco
Entre sal e ondas
O anzol esvoaçante
Nunca perfura a água
Fisco
Minha garganta
E o tranco me faz
Cometa rasgante
Espaço-sidero
Viajante da esfera
azulada
A força atrativa
Me gravita
Caio
Incandescente
Mergulho e me detrito
Em pequenos detalhes de
clarão
Na órbita de um olhar
Sou
Astro, peixe e luz.
Caio Bio Mello
22/09/2022
Aterrar
O fruto
Da descoloração do
desterro
Puxa a seiva saliva
E cresce pútrido
Em folhas de queratina
Brotam pétalas
Enrijecidas com pólen
denso
Que perfuma o ar de morte
Veem-se no tronco as
marcas de um passado
De arranhos e arreganhos
Que sulcaram fundo na
madeira
E o conjunto grotesco
vertigina
Pois já não se sabe mais
O que é raiz ou caule ou
flor
Ou chão
Ou nada.
Caio Bio Mello
22/09/2022
Gaiar-se
Retumbar do pulso
Epicêntrico
Argila e agulha
De sístoles e diástoles
Tinta urdindo
Os enredos da história
Orvalho diamante
Nas cerejeiras
O fermento, a fúria
O adubo
Montanhas em toques e passos
De caminhos em fogo e alma
Núcleo de magma
E constelação
O céu e o inferno
E o todo. Sempre.
Caio Bio Mello
08/05/2022
Epicêntrico
Argila e agulha
De sístoles e diástoles
Tinta urdindo
Os enredos da história
Orvalho diamante
Nas cerejeiras
O fermento, a fúria
O adubo
Montanhas em toques e passos
De caminhos em fogo e alma
Núcleo de magma
E constelação
O céu e o inferno
E o todo. Sempre.
Caio Bio Mello
08/05/2022
quinta-feira, 21 de abril de 2022
Pélago
Navega
em teus oceanos
com vento, vela e viço.
Sê fluxo e sol.
Não negues o sabor
que te trazem as
correntes.
A tua gota flutua
como a valente saúva
se remonta no maremoto
do formigueiro.
Não domines ou subjugues.
E nem te deixes arrastar
na vaga
porque o ronco do mar é
fome.
E nunca esqueças
que o segredo recôndito
das águas
chama-se pertencimento.
Caio Bio Mello
15/04/2022
Assinar:
Postagens (Atom)