quarta-feira, 22 de março de 2017

Águas de março

Eu vou me encharcar 

nessa chuva fria! 

Disse ele,

enquanto ria 

e admirava as profundezas

dos olhos dela.


Bio 

21/03/2017

Da série Miudeza

sábado, 18 de março de 2017

Teus braços

Haja teto ou não, pouco me importa,
pois eu, desnorteado nômade moderno,
enfim encontrei minha morada
e aqui viverei em paz.

Caio Bio Mello
18/03/2017

Peixaria

Eis o peixe aberto
as entranhas expostas e as guelras ainda vermelhas.
Sua carne seccionada em plano sagital
presenteia o animal defunto
com o corpo em formato de asas
                        para que levante voo
e desfrute, enfim, dos sonhos que nunca viveu
em sua curta existência.

Caio Bio Mello
18/03/2017

Voadora

Os metais unidos
Todos concentrados
Asas penas bicos
Elefante branco
Com pernas de pau
Toca saxofone
Tantos braços dedos
Brilha o sol na roupa
Gladiador de plástico
Maria odalisca
Os bumbos explodem
No aterro
do ferro
no aterro
meu Deus
só se vê é multidão

Carnaval de 2017
Caio Bio Mello

O choro

Lábios, rios
e silêncios não contados
                                   meias palavras em branco.

A ruidez fluida
                        de lágrimas no rosto.

A água e o sal deslizam
            suavemente se unissolvem  
nos vincos das agruras da vida.

O peito oscila encostado ao meu.

O choro.
Não posso contê-lo. Não me pertence,
                        não é desta curva que se origina.

Posso simplesmente abraçar
e esperar pacientemente que termine.

Caio Bio Mello
18/03/2017